sábado, 12 de julho de 2008

Como gosto desse assunto Eleusis e Demeter


Mistérios de Elêusis

Em tempos imemoriais, uma colônia grega vinda do Egito havia trazido para a tranqüila baía de Elêusis o culto da grande Ísis, a deusa egípcia, sob o nome de Deméter ou mãe universal. Desde esse tempo, Elêusis ficou sendo um centro de iniciação.

Os Mistérios de Elêusis eram segredos ciosamente guardados, protegidos por sanções, tais como a morte para qualquer pessoa impura que espiasse os ritos sagrados, ou o confisco das terras de um iniciado que revelasse os segredos do culto.

Deméter e sua filha, Perséfone, (Ceres e Proserpina para os romanos), presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios. Daí seu prestígio. Muitos desses mistérios ainda não foram desvendados; no entanto, no grande complexo de templos de Elêusis, notadamente no grande Templo de Deméter, o Telesterion, os estudiosos têm descoberto esculturas e pinturas em vasos que representavam alguns desses ritos.

Se o povo reverenciava em Deméter a terra-mãe e a deusa da agricultura, os iniciados viam nela a luz celeste, mãe das almas e a Inteligência Divina, mãe dos deuses cosmogânicos. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram sempre a grande doutrina esotérica que lhes vinha do Egito. Esses sacerdotes, porém, no decorrer do tempo, revestiram essa doutrina com o encanto de uma mitologia plástica, repleta de beleza.

A doutrina da vida universal

O ritual dos Mistérios de Elêusis encontrava expressão na lenda da deusa Deméter e sua filha Perséfone, raptada por Hades (Plutão), rei do Mundo Inferior, quando colhia flores com suas amigas, as Oceânidas, no vale de Nisa. Deméter, ao tomar conhecimento do rapto, ficou tão amargurada que deixou de cuidar das plantações dos homens aos quais havia ensinado a agricultura. Os homens morriam de fome, até que Zeus (Júpiter), que havia permitido a seu irmão Hades raptar Perséfone, resolveu encontrar uma forma de reparar o mal cometido. Decidiu, então, que Perséfone deveria voltar à Terra durante seis meses para visitar sua mãe e outros seis meses passaria com Hades.

O mito simboliza o lançar sementes à terra e o brotar de novas colheitas, uma espécie de morte e ressurreição. No seu sentido íntimo, é a representação simbólica da história da alma, de sua descida na matéria, de seus sofrimentos nas trevas do esquecimento e depois sua re-ascensão e volta à vida divina.

É a Doutrina da vida Universal, que se encerra no simbólico grão de trigo de Elêusis, que deve morrer e ser sepultado nas entranhas da terra, para que possa renascer como planta, à luz do dia, depois de abrir caminho através da escuridão em que germina.

É a mesma doutrina pela qual o candidato, tendo passado por uma espécie de morte simbólica no quarto de Reflexões, renasce para uma nova vida como Maçom e progride por meio do esforço pessoal, dirigido pelas aspirações verticais que são simbolizadas pelo prumo.
SAMOTRÁCIA

Por volta de 1950 a.C., os Mistérios egípcios passaram à Grécia. Os primeiros a recebê-los foram os habitantes da ilha de Samotrácia, hoje Samandraki. Desses Mistérios destacam-se as figuras dos poderosos 8 Kabires. Esses Mistérios foram levados à Frígia pelo Iniciado Darmanus, e logo alcançaram a Itália, onde foram confiados às Vestais.

ELÊUSIS (ou CERES)

Existiam os Maiores e os Menores. Os Iniciados desses Mistérios eram conhecidos como Eumólpides. A base dos Mistérios de Elêusis consistia de Tradições, Ritos e Princípios sagrados. Seus deuses principais foram Dionísius (Baco, do Vinho) e Deméter (Ceres, da terra e dos Cereais). O ensinamento superior era divulgado na forma da Arte: teatro, música, poesia, dança, escultura etc.

Em Elêusis se trabalhava com os Ritos sagrados, semelhantes aos que conhecemos hoje como, p.ex., como Mistérios Eucarísticos (ou seja, consagração do Pão e do Vinho).


Com o passar dos tempos, esses Mistérios entraram em decadência e a maior parte dos filósofos-iniciados aderiram aos Mistérios de Mênfis, que originou os Mistérios Órficos

Paganismo & Bruxaria


Tradições

Relendo textos, e no cultuar da Bruxaria no meu dia a dia fiquei a pensar o que seria tradicional, não é de hoje que escuto que determinado caminho é seguido como se fosse uma linha de organização, uma Ordem de Iniciação onde se existem determinados membros ou associados que realizam ritos próprios, isto é perfeitamente cabível a quem entenda só por isso, mas como um estudante no assunto e ser pensante quis ir um pouco mais fundo nessa questão que por vezes é abordada em listas, no dia a dia, entre pessoas que tentam se enquadrar em determinado estilo ou linha mágica, mas que simplesmente aceitam o significado Tradição como uma ordem.

Felizmente o significado de Tradição vai além disso e se enganam aqueles que acreditam nesta simplória definição, Tradição significa algo a se perpetuar, algo que se tenha uma raiz, tronco, galhos e folhas onde as folhas são o cotidiano, uma comida realizada por alguém de sua família nos finais de semana é uma herança cultural e por sinal tradicional, são heranças importantes continuadas até hoje são chamadas Tradições. Existem Tradições Culturais, Religiosas, Sociais que juntas mostram procedimentos tão ricos e importantes que ano a ano não perdem suas características, sua força, e isto reflete desde uma reza até um prato típico de uma região específica de um país.

A Tradição de se honrar um ancestral, não é um simples fato que se faz Tradicional, e sim o aglomerado de hábitos, de cultura que tornam ou fazem sentido ao fato, ao procedimento, saber a sua origem, a sua região, saber a bebida, a comida tradicional, a reza passada do antes até os dias de hoje, e como premissa pessoal não me basta ou a muitos tradicionalistas apenas sintonizar com o passado, e sim Ter nas mãos um conhecimento específico sobre determinada prática, uma prática com laços tão fortes que nem o tempo conseguiu desatar, um valor tão forte que remonta valores, mitos, história, sentimento e entendimento.

Alguém que tem como base trazer os antigos costumes, não é apenas um tradicionalista, é também um artista onde em cada pincelada uma imagem vai se mostrando, onde no final desta esta um retrato do próprio artista e com este um valor imensurável de concretização pessoal, de magia e auto-entendimento. Tradição é o caminho do meu ancestral, dos amigos que prezam a amizade com o próprio sangue, aqueles que fizeram do passado a origem do presente numa infinita parte e por menor que seja fazem parte do meu gene.

por Ricardo DRaco

O que é Bruxaria Tradicional?

Uma breve descrição da natureza da witchcraft e suas práticas mágicas na Arte Antiga. O caminho da Bruxaria Tradicional é a chama acesa que vem do coração dita como vocação por muitos, a busca do caminhante por sabedoria, eis o círculo e seus mistérios que compõem e mantém vivo a essência, da fé nos costumes mágicos, da fé na Antiga Arte. Seu ritual é o Sabath o sonho que se faz carne, do êxtase....

Seu mistério encontra nas profundezas da terra, no submundo onde as raízes estão. Sua reverência aos espíritos ancestrais, ao sussurro ao ouvido, o sagrado na palavra, o segredo dos espíritos face a face, a consagração da terra natal, eis o círculo da Arte, em que nenhum pensamento profano está apto a entender, perguntas e respostas que só quem caminha no círculo ao redor da fogueira pode sentir seu significado.

Mas prevalece a pergunta - O que é Bruxaria Tradicional, há tantas respostas diferentes quanto ha opiniões de entendidos no assunto, é um conceito vindo do entendimento subjetivo e individual, mas em resumo um conjunto de práticas que constituem a história de determinado povo, de determinado clã, baseado nos seus costumes, baseados nos seus segredos, embora exista uma grande parcela de estudos ligados aos povos da Europa que nos possa dar uma noção sobre o assunto, tais conhecimentos não nos remetem a raiz destes conhecimentos tão sagrados e seletivos. As linhas de diferentes faces da Bruxaria refletem a mesma como algo intrigante e complexo à abordagem do tema, algumas linhas se dividem outras se juntam em conceitos, mas a base se encontra no culto a natureza, não somente como provedora do alimento, mas como energia primordial, berço e vida.

A Bruxaria é o contato mágico do humano com a flora e fauna, seus remédios, seus instrumentos, seu som, sua força, sua proteção, seu meio de existência dando a mesma uma característica tão íntima como a fé, como a sensação pura e simples das manifestações da natureza. Os membros da Antiga Arte constituem agrupamentos de pessoas trabalhando com foco na magia natural, servindo como um entendedor das forças da natureza, um praticante da magia, alguém digno e com particular tendência introspectiva, sensorial que entra em harmonia com as fases das estações, que honra suas raízes, respeita o poder ancestral, cultua os deuses da natureza em seu digno habitat.

Poder ancestral é transmitido de geração a geração, através da palavra falada, do conhecimento compartilhado pelos membros do clã, a sabedoria é guardada sobre juramento dos membros e repassado as próximas gerações através dos membros mais antigos, dos espíritos dos antigos dadas por possessões mágicas ou dadas por esquemas mágicos dentro do seio do paganismo, no berço raiz e entre seus deuses antigos.

As Tradições familiares são raras e muito seletivas, dando um caráter que se desvincula de outros segmentos do paganismo por sua maneira de culto e diversidades filosóficas próprias Os fundamentos da Bruxaria Tradicional assim vindo de uma tradição familiar ou de outras tem em sua variedade um valor muito rico de costumes e folclores que só vem a engrandecer o paganismo e suas diversas e notórias lendas, histórias, segredos e crenças. Sejam bem vindo irmão da terra Filhos dos filhos desta terra, desta raiz Sejam abençoados, Sejam abençoados seus passos pelos deuses de teus pais, de teus avós Honrai, honrai irmão da terra Aquele que finca sua espada ao solo, ajoelha e saúda Aquele que honra será honrado Andas como peregrino sobre o solo sagrado Eis abençoado. Porque honras o que é sagrado. E sagrada é tua honra Bem vindo irmão da terra.

por Ricardo Draco



Bruxaria Tradicional - A difícil Arte de entender o que já está implícito.

Resolvi escrever este artigo devido a tantas dúvidas que surgem no meio pagão, quando mencionamos Bruxaria e Tradicionalismo separadamente existe compreensão dos conceitos, porém juntas algo acontece e até pessoas com mais tempo de paganismo se perdem e fazem a pergunta “O que é Bruxaria Tradicional?” o ponto de partida esta no que consiste a Bruxaria, se analisarmos não apenas o nome ou simplesmente um movimento filosófico, se entendermos que Bruxaria é algo além de uma linha de crença do paganismo, se entendermos que é algo além de um contexto de magia natural, se tivermos essa base de análise, podemos buscar sua origem ou parte dela agregada a uma região, a um povo e conseqüentemente o seu legado de crenças, de cultura, folclore e com certeza descobriremos um agregado rico de história e costumes que chamamos de tradicionalidade.

Na minha opinião Bruxaria e Tradicionalidade são algo uno, um sem o outro enfraquece a filosofia que é baseada no culto no culto politeísta e ancestral, enfraquece nossa própria essência, nossa raiz, enfraquece na medida que uma arvore não é nada somente feita de galhos e folhas, é preciso de um agregado para ser completo, é preciso saber quem se é “Conheça a Ti mesmo” e como seguir por um caminho se nem sabemos quem somos, quais são nossas raízes ancestrais, se não temos o discernimento e o desenvolvimento do ser e assim entender sua filosofia interior como querer traçar uma relação de exteriorização com alguma religião?

Bruxaria Tradicional por alguns bruxos que seguem este caminho somente o termo Bruxaria já estaria implícito a sua tradicionalidade, outros acham necessário reforçar com Tradicional por exaltar o contexto de busca e preservação das antigas crenças, isto ficaria ainda mais fácil se dissermos que Bruxaria são os cultos pré-cristãos europeus e que a tradicionalidade vai de encontro à religiosidade que chamamos de antigas crenças.

A segunda pergunta que me fazem é se mantemos o culto da mesma maneira que era feita nos primórdios, a minha resposta é que muita coisa pode ser feita, muito dos conceitos podemos aplicar nos dias de hoje, outros foram adaptados e desenvolvidos de maneira coesa conforme o passar das épocas, do mesmo jeito que muitos clãs se fecharam a terceiros e desenvolveram técnicas de camuflagem de seus cultos que qualquer um que não fosse do culto poderia suspeitar, hoje a Bruxaria não possui e francamente não acredito, pelo menos não tenho relatos, de tais coisas como uma ritualística de mulheres comendo sapos, ou homens matando a caça no dente, ou de bruxas comendo criancinhas ou mesmo daquela bruxa velha com uma verruga no nariz e vestida de preto tal como Hollywood inventou, tal qual alguns filmes como Brumas de Avalon demonstram, estas fantasias imaginárias que habitam as mentes dos menos informados estão tão longe da verdade que muitos tradicionalistas deixaram de responder e ainda com um senso de humor exaltado acrescentam outras satisfazendo os curiosos, na minha humilde opinião acho esse procedimento errado, acredito que as pessoas devam ser esclarecidas porém confesso que seja tarefa para homens tolerantes!

Tenho visto algumas definições como sendo Bruxaria o Xamanismo Europeu e de uma maneira geral tenho gostado desta definição, porém acrescentando as distinções regionais assim como algumas diferenças de culto, mas embora apoiando alguns pensadores que tentam traçar um paralelo e assim clarear a mente da comunidade pagã brasileira, acredito ser muito difícil obter uma aceitação total desta como de qualquer outra definição devido à diversidade de linhas mágicas, filosóficas e sociais tanto para esse segmento como para outros.

Nós tradicionalistas não temos o objetivo de arrebanhar pessoas para a nossa crença, e sendo assim a maior preocupação esta diretamente ligada a busca pessoal, a honrar deuses e ancestrais, a respeitar e preservar a sua riqueza cultural/filosófica, conseguindo assim o seu equilíbrio mental, espiritual e material, e deste modo, de bem consigo e com o que acredita poder ajudar o próximo a encontrar a sua estrada, seja pela cura física ou não, seja por sua contribuição a comunidade.

Ricardo DRaco

Oração da Mãe Terra

Prece para a Mãe Terra



"Abençoado seja o Filho da Luz que conhece sua Mãe Terra

Pois é ela a doadora da vida.

Saibas que a sua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela.

Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida

E te deu este corpo que um dia tu lhe devolverás

Saiba que o sangue que corre nas tuas veias

Nasceu do sangue da tua Mãe Terra

O sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela,

Borbulha nos riachos das montanhas,

Flui abundantemente nos rios das planícies

Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra

O alento Dela é o azul celeste das alturas do céu

E os sussurros das folhas da floresta

Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos

de tua Mãe Terra.

Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra.

A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos

Nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra,

Que te rodeiam feito as ondas do mar cercando o peixinho,

Como o ar tremelicante sustenta o pássaro

Em verdade, tu é um com tua Mãe Terra

Ela está em ti e tu estás Nela.

Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltarás novamente.

Segue portanto as suas leis

Pois teu alento é o alento Dela,

Teu sangue o sangue Dela,

Teus ossos os ossos Dela,

Tua carne a carne Dela,

Teus olhos e teus ouvidos são Dela também

Aquele que encontrou a paz na Mãe Terra

Não morrerá jamais.

Conhece esta paz na tua mente,

Deseja esta paz ao teu coração,

Realiza esta paz com o teu corpo."

O CÍRCULO MÁGICO


O CÍRCULO MÁGICO


“Quem quer colher rosas
deve suportar os espinhos."
Provérbio Chinês



Autor: José Laércio do Egito


Em quase todas as tradições mágicas, traçar o círculo é uma das primeiras tarefas que se deve aprender.

Traçar o círculo precede qualquer ritual mágico, consiste em um meio de estabelecer uma ponte entre o mundo físico e o mundo dos deuses, entre o visível e o invisível, de facilitar a conexão com outros planos. Tem por objetivo manter a energia coesa evitando que forças espúrias perturbem de alguma forma o ritual e os participantes.


O Círculo também é o melhor meio de preservar e conter a energia criada durante um ritual, por isso é imprescindível em qualquer prática ritualística. Ele pode ser estabelecido em qualquer lugar, em especial onde algum ritual, ou celebração vai ser realizada, em reuniões de pessoas, ou mesmo individualmente; no exterior ou no interior da casa, em especial em torno no quarto de dormir, em volta da cama. Importante que à noite seja feito em torno da cama do casal (evita a ação dos sugadores de energia), e do leito das crianças.




Toda a área que for escolhida para algum procedimento mágico deve ser limpo, consagrado, e delimitado, neste caso pela efetivação de um círculo mágico, que compreende o primeiro passo para uma cerimônia mágica.

O Círculo mágico tem 2 funções básicas:
Proteção contra influências hostis, distrações externas, e das influências psíquicas.


Contenção e fortalecimento as energias “criadas” e invocadas no ritual.
O círculo mágico – círculo de poder – tem a função não deixar que energias contrárias perturbem, ou causem algum problema no decorrer de um ritual. Ele define o espaço do ritual; o perímetro do círculo que marca a delimitação onde a atenção é focalizada. A função protetora do círculo é criar um espaço sagrado para os participantes especialmente os que estejam com algum distúrbio energético. O círculo mágico está posicionado entre os mundos da realidade concreta e o mundo dos Deuses. Dentro dele o Bruxo fica além de tempo, limite, e espaço.

Uma das finalidades do circulo mágico – também chamado de círculo de poder – visa fortalecer, intensificar a ação das energias, assim como reter modelos energéticos criados e invocados no ritual, e ainda mais, defender os presentes de influências hostis.

O círculo mágico posiciona os integrantes entre o mundo da realidade concerta e o mundo mágico, mundo dos deuses. É um meio de defesa contra entidades tenebrosas, habitantes dos palácios da impureza, seres sugadores (vampiros energéticos), pois quando é traçado e fechado não pode ser rompido e nem transposto por nenhuma não física.

O emprego do circulo mágico não se restringe a ambientes ritualísticos, podem ser de grande utilidade em muitos lugares, por exemplo, em torno do quarto de dormir, ou do leito, toda noite antes, como meio de proteção astral, e em qualquer lugar de meditação, concentração, etc. Com ele evita-se influencias negativas de seres espúrios. Pode ser feito ao redor da cama e mesmo ao redor do quarto,

Nos rituais mágicos precisamos do “circulo de poder” para garantir nossa proteção durante nossos rituais, pois, quando ele feito, nada pode os atacar, além do mais, nada sai e nada entra nele.

O circulo mágico pela forma circular não tem começo e nem fim; deve ser visualizado no momento de sua abertura, como uma espécie de bolha que penetra no solo e vai até o alto, acima da cabeça. A energia ficará contida dentro dele cuja presença poderá ser facilmente constatada. Conforme o grau de sensibilidade pessoal, pode ser vista uma cetra coloração, algo tremeluzindo, ou mesmo certa temperatura dentro dele.

Sempre é dentro do circulo que devem ser procedidas às cerimônias ritualísticas, por ser um lugar sagrado e defendido energeticamente.

O Iniciado tem como sua melhor arma o Círculo mágico, que em todo momento ele vive construindo, pela sua imensa utilidade não apenas em rituais, mas em vários momentos. Quando a pessoa se sente ameaçada, a sua primeira iniciativa deve ser a de construir um circulo e se posicionar dentro dele (neste caso por razões óbvias deve ser elaborado mentalmente). A razão é pela impraticidade de ser laborado fisicamente em muitos lugares e algumas vezes sucessivamente se a ameaça estiver se deslocando. O “mago” constrói mentalmente e se visualiza deslocando-se conjuntamente com o circulo.

Quando se viaja é sempre bom construir um circulo mágico envolvendo o veiculo, isso pode evitar muitos imprevistos e se acontecer às pessoas já estão devidamente sob a proteção contra seres indesejáveis. Também de grande significação é construí-lo em volta de uma pessoa muito doente, pois isso afasta os “vampiros energéticos”. Também quando vai ser efetuada uma cirurgia, ou qualquer procedimento que envolva sangue. Há dele em torno do leito de morte, por ser um momento em que a pessoa está quase totalmente indefesa contra ataques energéticos promovido por sugadores de energia.

Assim que o óbito é constatado a primeira iniciativa deve ser elaborar o circulo mágico, se ele ainda não houver sido feito. Assim se evita a invasão de “sugadores de energia” que tentam sugar para si a energia vital emanada. O não iniciado se entrega a lamentações, vezes ao desespero, e muitas manifestações histéricas. Mas o Iniciado não age assim porque ele sabe que não tais exteriorizações sentimentais não defendem contra vampiros energéticos, e nem trazem a vida de volta, portanto para nada serve, a não ser para descarregar a tensão retida. Assim sendo, em vez de lamentações histéricas, é muito mais efetivo por em execução alguns procedimentos mágicos, entres eles a constituição de um circulo mágico protetor.

Na ritualística cristã, os momentos finais da pessoa, e até o seu sepultamente usam-se velas (elemento fogo), mas o mago sabiamente com discreção faz uso não apenas do elemento fogo, mas discretamente também dos demais. Para isso ele pode usar uma vasilha com água, para o elemento água. Se por algum motivo for inconveniente a presença de um recipiente com água, esta pode se fazer presente numa gota em uma pétala de flor, numa esponja, ou algo assim. O ar pode ser assinalado com a fumaça de um incenso (incenso por ele mesmo já encerra o elementos fogo e a fumaça – ar – além da vibração positiva que ele pode imprimir ao ambiente). Se houver indagações do porquê do incenso diga que é para perfumar o ambiente na eventualidade da exalação de algum odor desagradável. Na verdade isso é verdade, porque a par do ladgo vibratório ele perfuma o ambiente. Para o elemento terra é fácil no ambiente se colocar uma pedra sob algum pretexto, ou mesmo colocar um pequeno cristal discretamente em torno da cabeça. Um minúsculo cristal passa totalmente despercebido.

O Estigma da Menstruação

O Estigma da Menstruação


“Muitas mulheres vêem o sangue menstrual
com as marcas que o patriarcado lhe colocou..."

Autor: José Laércio do Egito
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Não faz muito tempo que a menstruação deixou de ser considerada sagrada; ela não só perdeu esse lugar como passou a ser considerada algo negativo, incômodo, imundo, e indesejável. Essa mudança começou a se efetivar desde que o machismo se tornou dominante.

O poder feminino estava ligado à menstruação nas sociedades primitivas e os Patriarcas machistas, inspirados por Jeová, sabendo do poder que a menstruação pode conferir, procuraram uma forma de evitar que as mulheres usassem esse poder, para torná-la meros objetos de reprodução e prazer. Para isso, a maneira mais simples que eles encontraram foi desacreditar, ridicularizar qualquer ritual inerente à menstruação, evitando que deixassem de ser feitas muitas formas de reconciliação da polaridade feminina com a natureza.




Para a consecução desse objetivo, todo ritual inerente à menstruação foi sendo taxado de tolice, e ensinado que a menstruação não tinha função alguma a não ser a de substituição do endométrio uterino. Não havia nela nenhuma fonte de poder, e isso foi tão ardilmente preparado que a menstruação passou a ser uma condição indesejável. Assim a mulher se desinteressou de fazer criar certos símbolos, certos objetos de poder, praticar rituais simples, mas de grande eficiência no sentido de elevar a sua auto-estima; os rituais, que no passado eram comuns, praticamente deixaram de ser realizados na sociedade atual. Para reforçar o intento machista, foi dito que o mênstruo era algo sujo, imundo e sem valor! Na verdade o mênstruo é impuro apenas energeticamente; na verdade ele não é impuro, mas é pode assim ser considerado por ser o veículo que leva para fora os resíduos energéticos indesejáveis. Como diz o velho ditado: “Não existe água impura, mas sim impureza na água”. Do mesmo modo é o mênstruo, ele não é impuro por sua própria natureza, mas sim pelo fator energético que conduz, por veicular elementos energéticos que precisam ser descartados.

O machismo conseguiu um formidável tento na sua pretensão de anular a mulher, ao conseguir que ela renegasse totalmente o que de mais precioso existe em sua natureza, repudiar uma colossal fonte de energia capaz de conceder-lhe supremacia. O que é interessante, o ardil foi tao bem preparado que hoje é a própria mulher quem mais repudia a menstruação.

A dissintonia que foi estabelecida entre a mulher e a menstruação acarretou um desequilíbrio energético muito grande em seu organismo; sem o poder de sua natureza, a mulher ficou muito indefesa em ralação ao homem e daí a condição de subalternidade e de baixa estima em que hoje se encontra.

Levantando-se contra a condição de submissão surgiu o movimento feminista. Isso é algo muito importante, mas sem qualquer valor prático desde que os meios utilizados por ele não garantem nenhum poder pessoal. Não é conquistando certos direitos na sociedade que a mulher conquistará os seus direitos, ela pode até conseguir direitos civis, mas não é isso que dita a pretensa superioridade masculina, mas sim o poder energético.

As leis civis de direitos da mulher estão sendo conseguidos, mas daí para o poder real há grande distância. Os princípios pregados pelas “feministas” jamais levarão à libertação da mulher. Nenhum luta civil, ou social fará com que o machismo seja derrotado. A mulher pode conseguir direitos, mas isso nada vale se ela não reconquistar o poder feminino. Não são as leis civis que vão dar-lhe um padrão de autoconfiança; Ela pode ocupar cargos elevados na sociedade, mas sempre dependerá do homem, isso somente porque inconscientemente ela sabe que não tem poder real.

Diante disso o fundamental é a mulher resgatar o seu poder real. Basicamente ela tem muito mais poder do que o homem; é ela a geradora da vida humana, tem em si a maior parte do poder de crear vida biológica. O Poder Divino se manifesta através as Mãe Natureza, aquele poder gerador, que tudo constrói, modela e governa.

Em nível de energia o poder dela é bem superior ao do homem. De igual para igual a mulher tem poder acentuadamente superior ao do homem. Se isso não acontece é porque ela perdeu esse poder, ou melhor, o deixou adormecido levados pelos ardis do machismo. Mesmo que ela ignore, ainda assim há como recupera-lo.

Mesmo que o homem não saiba disso, ele age como dominador não por ter mais energia do que a mulher, mas, sim, porque foi preparado pela sociedade para dominar, e a mulher para ser denominada. A mulher reclama dessa condição, protesta, mas submete-se, isso por desconhecer o potencial que tem dentro de si. Para que ela possa ocupar o seu lugar de direito é necessário que volte a fazer sentir o poder de sua natureza e isso fundamentalmente é algo da própria feminina. É preciso promover um resgate energético. Se as “feministas” soubessem disso não estariam fazendo protestos, discursos e coisas assim; elas gastariam o tempo em reativar o poder adormecido. Nenhum protesto em praça pública, nenhum desfile de rua, nenhum discurso em assembléias legislativas e Senado promoverá a supremacia da feminilidade.

A elevação do feminismo até um nível de equilíbrio com o machismo é fundamental que aconteça, mas isso só será possível mediante o incremento do poder feminino. O pior é que a mulher continua entrando no jogo do machismo, acreditando que o útero não tem outro valor a não ser gerar filhos, que a menstruação é uma coisa dispensável, que pode ser abolida, por isso se submetendo a mutilações prejudiciais, debilitantes do seu grande poder energético pessoal. São as mulheres as primeiras imporem isso a elas mesmas. Defendem a unhas e dentes a histerectomia, a supressão medicamentosa da menstruação, etc. Ignoram que tudo isso pode seria sanado se estabelecessem a harmonia rompida com suas condições femininas.

Isso pode ser feito facilmente, o difícil é convencer a mulher da pratica de certos exercícios. É muito difícil convencer a mulher de que existe esse poder roubado, e que é possível o resgate. Acontece assim porque muitos conceitos estão tão enraizados na formação feminina que ela mesma acha impossível elimina-los.

A civilização atual chegou a um ponto tao crítico que é preciso trazer de volta à mulher o seu poder, pois que só ela tem possibilidade de salvar determinados valores esquecidos, ou negligenciado pelo domínio machista. É preciso livrar a mulher do estigma da inferioridade. Ao homem isso é importante porque só há estabilidade através do equilíbrio dos opostos. Uma sociedade machista, em longo prazo, é inviável, do mesmo modo que uma feminista. O equilíbrio está no meio, portanto os extremos têm que ser evitados. Assim só pode haver harmonia com o machismo manter o seu poder paralelamente ao poder da mulher. A união de um par de pessoas não visa apenas à reprodução, há muito mais que isso.
A V\O\H\ fiel aos ensinamentos do Antigo Egito tem como um dos objetivos, contribuir para o resgate do feminino.

No Antigo Egito a mulher era tratada de igual para igual, e muitos conhecimentos eram dados nos templos dedicados à Deusa Hathor.

Somente com a união equilibrada é que a humanidade pode viver em melhores condições, e combinando esforço poder se libertar do domínio de inúmeras forças espúrias.




O RETORNO DA DEUSA


“Em seus ensinamentos Jesus anuncia a igualdade fundamental
entre o homem e a mulher, postura revolucionária para a época."
Autora: Neide Miele

Feminino e Masculino são componentes do Ser, sejam eles hormônios ou valores. Este Ser integral, no entanto, vagarosamente, foi sendo dividido pela sociedade patriarcal, que o reduziu apenas aos valores determinados culturalmente a um e a outro sexo. Desta forma, poder, força, ordem, dever, competitividade, razão, lógica, abstração, que são valores genuinamente masculinos, ficaram restritos ao homem. Os valores femininos tais como, emoção, sensibilidade, intuição, perdão, cooperação, sensualidade, fertilidade, cuidado em relação ao outro, que são valores atribuídos ao sexo feminino, ficaram restritos à mulher. A partir desta verdadeira “cirurgia cultural”, o feminino passou a ser indistintamente sinônimo de mulher, assim como masculino de homem. Em ambos os casos o Ser ficou restrito apenas a uma parte dos seus atributos.




Esta destinação cultural dos atributos humanos só recentemente começou a ser desmistificada. Quem de nós não conhece inúmeros exemplos de mulheres extremamente competitivas, que não hesitam em usar sua força e seu poder para atingir seus objetivos, mesmo que a custa da destruição do outro, ou da outra? Da mesma forma que, quem de nós não poderia citar inúmeros exemplos de homens intuitivos, sensíveis, que pautam suas vidas pelo profundo sentimento de cooperação e pelo cuidado em relação ao outro? Também não é difícil compreender que os valores femininos e masculinos inerentes ao Ser não se referem às opções sexuais de cada um.

Para ser sensível, o homem não precisa renunciar à sua masculinidade, tampouco a mulher, para fazer uso da lógica, da razão e da abstração, não precisa deixar de ser feminina. Hoje estamos descobrindo que os valores inerentes ao feminino e ao masculino guardam uma relação muito mais profunda com a postura ética de cada um, com sua visão de mundo e com seu crescimento interior do que com o sexo, preferências sexuais, ou mesmo com os gêneros. Nos mais variados mitos da criação os povos se referenciam ao masculino como sendo Ouranos, o Céu, e ao feminino como sendo Gaia, a Terra, de cuja união tudo se originou. Masculino e feminino, portanto, fazem parte do transcendente.


O papel civilizatório do mito cristão

Nas sociedades pagãs, intuição ou bravura não era prerrogativa de um ou de outro sexo. Deusas e deuses amavam, guerreavam, se emocionavam, caçavam... A separação de atributos por sexo ainda não havia sido operada. Esta separação, e a conseqüente valorização de uns em detrimento dos demais começa a se tornar cada vez mais evidente à medida que a sociedade patriarcal evolui. Para a consolidação da exclusividade masculina, o patriarcado teve que esmagar seu principal inimigo, o feminino. Mais do que a mulher, o feminino é que metia medo aos homens. Era esse lado sensível, intuitivo, curador e místico, que as mulheres possuem e alguns homens também, que precisava ser esmagado para que a Era da Razão se impusesse plenamente.

Patriarcado e cristianismo se uniram na construção uma sociedade baseada nos valores masculinos. A Deusa, a Mãe-Natureza, o princípio feminino, a mulher, foram submetidas ao princípio masculino: razão, competição, poder. Talvez a Igreja cristã tenha sido a instituição mais eficaz na tarefa de forjar o mito do homem, enquanto o único ser criado à imagem e semelhança de Deus, tendo recebido Dele o poder de dominar a natureza e toda a criação. Para a hierarquia da Igreja Católica essa imagem, fruto do Velho Testamento, foi muito mais forte do que a própria mensagem do Cristo, que nunca pregou a superioridade masculina. Em seus ensinamentos Jesus anuncia a igualdade fundamental entre o homem e a mulher, postura revolucionária para a época.

Contrariando os costumes do seu tempo, Jesus, de bom grado, cerca-se de mulheres em suas atividades públicas, conversa com elas, trata-as como pessoas, sobretudo quando são desprezadas pelos costumes da época, ou apedrejadas pelos “túmulos caiados”. Apesar de esta ser a mensagem do Mestre, até mesmo os apóstolos tiveram dificuldades em assimilar seus ensinamentos e superar os preconceitos ditados pela sociedade patriarcal. Para a estrutura hierárquica da Igreja, a igualdade preconizada pelo Cristo cedeu diante dos obstáculos nascidos do contexto cultural no qual o cristianismo se difundiu. Depois de muitos conclaves, a Igreja começou a venerar a Mãe de Deus, a Virgem Maria, instituindo-a como modelo para o sexo feminino, porém, continuou vendo a mulher como causa de todos os pecados do mundo e fonte de perdição.


Tudo começou com o medo

Jean Delumeau[2] nos diz que os pesadelos mais íntimos da civilização ocidental neste último milênio foram: o mar, os mortos, as trevas, a fome, a peste, a bruxaria, o apocalipse e, sobretudo, o demônio. Analisando este conjunto, poderíamos reduzi-lo a um único medo: o da mulher, visto que culturalmente ela está relacionada com cada um deles.

O mar: O desbravamento do mar, para a conquista de novos continentes pressupunha o enfrentamento das sereias. “Monstros do mar, com cabeça e tronco de mulher, e o resto do corpo igual ao de um peixe, elas seduziam os navegadores pela beleza de seu rosto e pela melodia do seu canto para, em seguida, arrastá-los para o fundo do mar e devorá-los. Ulisses teve que amarrar-se ao mastro de seu navio para não ceder à sedução do seu chamado. Elas representam os perigos da navegação marítima e a própria morte.”[3]

Os mortos: Georges Duby[4] salienta que entre as mulheres e os falecidos parece existirem relações privilegiadas. “Assim como o corpo dos recém-nascidos, o corpo dos defuntos pertence à mulher". Sua tarefa é lavá-lo, adorná-lo, ungi-lo, assim como Maria Madalena e suas companheiras preparavam-se para fazê-lo na manhã de Páscoa. (...) o temeroso, o misterioso, o inquietante, o incontestável poder das mulheres se deve principalmente a que, assim como a terra fértil, a vida sai de suas entranhas. E quando a vida se extingue, retorna para elas como para a terra acolhedora. Estas são as duas funções da feminilidade: materna e funerária.

As trevas: As trevas são também à noite, a obscuridade, o pecado, a queda, a perda do paraíso, o inferno, a falta de domínio sobre a sexualidade. As trevas são os domínios de Lilith, que foi banida do Paraíso por não aceitar se submeter a Adão, transformando-se num demônio feminino noturno de longos cabelos, que ataca homens e mulheres na escuridão da noite. Assim está escrito no Zohar: “É justo e adequado que as duas luzes governem; a luz maior de dia e a luz menor de noite. Desse modo, o domínio do dia pertence ao macho e o domínio da noite à fêmea”. Para Bárbara B. Koltuv[5] “as forças da sexualidade, do nascimento, da vida e da morte, do mágico ciclo da vida eram originalmente governadas pela Deusa.

Com o advento do patriarcado, o poder de vida e morte tornou-se uma prerrogativa de um Deus masculino, ao mesmo tempo em que a sexualidade e a magia da criação eram separadas da procriação e da maternidade.” Esta separação salta aos olhos se analisarmos a Idade Média, período em que o culto à Virgem Maria e a construção das catedrais ocorreu concomitantemente com a criação do Tribunal do Santo Ofício, ou a chamada "Santa Inquisição", responsável pelo extermínio massivo de mulheres sob acusação de bruxaria. Para a Igreja Católica, Mãe e Mulher são opostos que se excluem.

A fome: A mulher, assim como a Mãe-Natureza, é a eterna doadora de alimento. Portanto, poderia parecer contraditório relacionar o medo da fome à mulher, contudo, depois que a maternidade foi separada da sexualidade, mãe e mulher passaram a ser seres dicotômicos, permanentemente em oposição. Depois que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, o homem passou a ser responsabilizado pelo provimento da família através do trabalho, e a mulher recebeu a sina de parir com dor o fruto de sua sexualidade e causa de sua culpa. Como o trabalho é penoso e necessita de coerção para ser realizado esta se dá através da repressão ao prazer. Trabalho e prazer se situam em campos opostos; os homens que não se privam do prazer não trabalham, daí decorre a fome, cuja culpa é imputada, em última instância, à mulher.

A peste: O ódio à mulher foi crescendo na mesma proporção que o poder patriarcal. Na Idade Média as mulheres eram acusadas de pactuarem com o demônio e responsabilizadas por sua capacidade de, em nome do diabo, exercer qualquer tipo de malefício humano e sobre-humano, inclusive a produção de tempestades ou a propagação de pestes. O medo provocado pela mulher e a conseqüente repressão às bruxas medievais são importantes para se compreender as conexões entre a destruição da religiosidade pagã, o estabelecimento do modelo patriarcal e a imposição do cristianismo.

As bruxas: Ao escrever a introdução brasileira ao Malleus Maleficarum, Carlos Byington[6] afirma que na Inquisição o ódio à mulher misturou-se à atração mórbida por ela, devido à sexualidade culturalmente reprimida. “Isso fez com que a tortura para se obter confissões de bruxarias incluísse procedimentos sexualmente perversos que incluíam voyeurismo e sadismo. As mulheres eram despidas e seus cabelos e pêlos eram raspados à procura de objetos enfeitiçados e escondidos em suas partes íntimas. As torturas praticadas são difíceis de imaginar, mas o texto dá idéia de terem sido terríveis, sobretudo porque o processo recomendado pelo Malleus é um delírio francamente paranóide orientado para se obter confissões, e não para verificar a culpabilidade.”

O demônio: Antes do século XI o diabo era abstrato e teológico. Sua existência era um problema apenas para os doutores da Igreja e para os estudiosos da teologia. Mas, pouco a pouco, ele foi ganhando espaço e se tornando cada vez mais concreto, saltando das pinturas que recobrem as paredes e os vitrais das igrejas até a total possessão dos corpos humanos, sobretudo das mulheres, que passaram a ser sua própria encarnação.

Notas:

[1] - A Autora é Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Coordenadora do Curso de Especialização em Ciências das Religiões, da Universidade Federal da Paraíba.

[2] - DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente. São Paulo: Cia das Letras, 1996.

[3] - Cf. Dicionário de Símbolos. Chevalier e Gherbrant. RJ: José Olympio, 1996.

[4] - DUBY, Georges. Damas do século XII: A lembrança das ancestrais. SP: Cia das Letras, 1997.

[5] - KOLTUV, B. O Livro de Lilith: Psicologia e Mitologia. SP: Cultrix, 1989.

[6] - Malleus Maleficarum: O Martelo das Feiticeiras. RJ: Rosa dos Tempos, 1991.

Sagrado Feminino

Recolhimento Sagrado Feminino


“O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo
assim como a água está para a Terra." Autora: Tatiana Menkaiká



Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra.

Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte.

Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua.
Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanço, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora.

Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de comtemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas.

Diversos ritos de passagem marcam a vida de meninas nativas no seu primeiro ciclo menstrual. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu, é momento de as meninas se recolherem para suas casas. As meninas kanamari, do Amazonas, também ficam reclusas enquanto dura seu primeiro sangramento, sendo alimentadas somente pela mãe. Assim ocorrem com as meninas tukúna que nesse período de reclusão aprendem os afazeres e a essência do que é ser uma mulher adulta. Observa-se, em alguns casos, como parte do rito, cortar o cabelo e pintar o corpo de negro. São ritos de honra à mulher, e não o afastamento das mesmas pela impureza, como foi mal-interpretado por muitas outras culturas, principalmente a nossa ocidental extremamente influenciada pelos valores cristãos.

Nossos corpos mudam nesse período, fluem nossas emoções e estamos mais abertas a compartilhar com outras mulheres, como uma conexão fraternal. Ao observarmos nossos ciclos em relação à Lua , veremos que a maioria das mulheres que não adotam métodos artificiais de contracepção e que fluem integradas ao ciclo lunar, têm seu Tempo de Lua durante a Lua Nova. É importante observarmos como fluímos com a energia da Lua e seus ciclos, e em que período do ciclo lunar menstruamos. A menstruação é um chamado do nosso corpo ao recolhimento, assim como a Lua Nova é um período de introspecção, propício ao retiro e à reflexão. A Lua Cheia proporciona expansão e, se nossos corpos estão em sintonia com as energias naturais, é o período em que estaremos férteis.

Quantas mulheres atualmente deixaram de observar os ciclos do próprio corpo? Quantas deixaram de conectar-se com as forças da natureza, deixaram de lado a riqueza desse período de introspecção, recolhimento e contemplação de si mesmas? No nosso Tempo de Lua sonhamos mais, estamos mais abertas à sabedoria que carregamos de nossas ancestrais. Aproveite esse período para conhecer e explorar seu interior, agradecendo os dons e habilidades que possui. Compartilhe com outras mulheres esses momentos sagrados de respeito e fraternidade. Ouse sonhar e exercer seu lado visionária. Note que ao estar em conexão com todas as mulheres e com a própria Mãe Terra, muitos sintomas tidos como incômodos vão desaparecendo. Muitos destes sintomas são a rejeição desse período. Com a competição resultante dos valores da sociedade moderna, muitas de nós esqueceram de ouvir a si mesmas, de sentir a necessidade de seus próprios corpos e corações.

Para finalizar, segue um trecho sobre a Tenda da Lua, de Jamie Sams, falando-nos sobre a importância desse ciclo de religação com a Terra e a Lua:

"O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua. As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".

Publicado na Revista Viva Melhor, especial sobre Xamanismo.

Sagrado Feminino

Nosso propósito básico nessa palestra é mostrar que a mulher foi execrada há milênios pelos manipuladores das Escrituras Sagradas. Queremos mostrar que existe um protagonista, um vilão, que embora oculto aos olhos das pessoas, mesmo assim, ele deixa laços em todos os tempos e lugares visando, se não impedir, pelo menos, dificultar o desenvolvimento espiritual da humanidade. Um dos meios foi desvirtuar a Trindade através da eliminação da polaridade feminina. Queremos revelar que não foi a mulher quem deu chance à entrada do mal no contexto da criação, pois na verdade ela não tem culpa alguma.




Mas, como consciência manifesta, aquela força negativa tende a ocultar a sua própria natureza e por isso é que em todos os momentos da história humana ela sempre está procurando apagar os caminhos que possam levar a pessoa ao conhecimento da verdade, ou seja, à “gnosis” e assim torná-la conhecida e devidamente colocada no lugar de origem do mal. Pela “gnosis” (gnosis = conhecimento) a pessoa toma ciência dos meios de atuação daquela força, da maneira de ser dela, e assim, pelo conhecimento a respeito dela, da sua natureza, tornar mais fácil a pessoa evitar os seus laços tentadores.

Um dos meios usados pela força negativa para esconder o processo da criação foi apagar a existência de um Poder Superior transcendente ao Universo, visando trazer o Cosmo para um nível em que ela pudesse se situar como deus e ao mesmo tempo esconder a verdade. Um dos seus propósitos foi tirar da Trindade a polaridade feminina, pois isto equivale a esconder o lugar onde aquela força negativa estivera no processo da creação, e para isso dificultar o entendimento sobre a existência de uma polaridade dentro da Trindade. Por isso aquela força procurou apagar o lado feminino[1] da criação. Apagando este lado da criação, havendo somente o lado masculino, e aquela força sendo da polaridade feminina, torna-se mais disfarçável, mais oculta a sua responsabilidade.

Neste Ciclo de Civilização no planeta Terra, onde primeiro se fez sentir essa manobra de ocultamento do lado feminino foi na religião hebraica através de Jeová. Em todas as “manifestações” de Jeová aos patriarcas em nenhum momento foi dada ênfase à mulher, nenhuma profetisa, ou matriarca, é mencionada, contrastando isso com todas as grandes religiões de todas as épocas.

Os hebreus retiraram o lado feminino da criação. Mesmo havendo eles vivido no Egito por muito tempo, e consequentemente havendo tido contacto direto com todas as religiões egípcias que tinham em suas trindades o lado feminino, mesmo assim a religião hebraica não incorporou a Deidade Feminina. Todas as cosmogonias, todas as doutrinas que não são oriundas do Velho Testamento admitem a Deidade Feminina, tanto as religiões nativas e primitivas quanto as mais metafisicamente elevadas.

Pela força de um arquétipo feminino, já nos primeiros séculos, os cristãos começaram a endeusar Maria Santíssima. Essa tendência tornou-se tão intensa que ocasionou quase uma insurreição popular durante o Concilio de Éfeso, ocasião em que o tema “Maria Mãe Santíssima” estava sendo debatido. Na realidade aquele movimento nada mais era do que uma tendência à reabilitação da “Deusa Mãe” através de Maria, o lado feminino da Trindade, pois que na Trindade de Atanásio Pai e Filho eram masculino e o Espírito Santo neutro.

O Dogma da Imaculada Conceição, de certa forma, foi criado como uma forma encontrada pelo Cristianismo Ortodoxo para acalmar os ânimos dos cristãos que exigiam uma Divindade Feminina. Posteriormente esse panteão foi enriquecido com grande número de “santas”, contrastando com o Cristianismo ortodoxo primitiva que não mencionava qualquer mulher no lugar de Santa.

Até mesmo algumas escolas gnósticas cometeram esse mesmo engano. Vejamos em síntese o que aconteceu no seio do gnosticismo. Nos primeiros anos do Cristianismo mesmo alguns apóstolos ofereceram resistência em aceitar o apostolado feminino. Documentos encontrados em Nag Hamadi mostram que houve forte reação contra Maria Madalena, ao ponto de André e o próprio Pedro tentarem desacreditá-la quando ela afirmou estar recebendo ensinamentos diretamente de Jesus.

No Evangelho de Tomé consta: Simão Pedro disse aos discípulos - “Que Maria se afaste de nós, pois as mulheres não são dignas da Vida”.

No período antecedente ao I Concílio de Éfeso a maioria dos cristãos já tinha Maria como uma “Deusa”, possivelmente uma conseqüência da força do arquétipo feminino no contexto da criação.

O dogma da Imaculada Conceição, que não é exclusivo da igreja católico-romana, teve o propósito de evitar a crítica de ser considerada uma religião unipolar, machista, por não ter uma representação da polaridade feminina em seu panteão. Uma deidade feminina como era aceito pela totalidade das grandes religiões de todas as épocas e que atendia a um forte ímpeto da natureza humana.

Na realidade não existe uma mulher assim como um homens na Trindade e sim potencialidades polarizadas.

As religiões em cujo panteão em que é mencionado o nome de uma virgem esta não é nenhuma mulher, é uma pura abstração, o Nóumeno. ••.

Vemos com esta palestra a razão pela qual a mulher é colocada num plano de inferioridade na maioria das religiões ocidentais têm como base o Judaísmo exotérico.

A força negativa sendo de polaridade negativa e responsável pela penetração do mal no contexto da criação do mundo, como forma de camuflar-se induziu a que fosse retirado o lado feminino da criação. A partir do Concilio de Éfeso a Igreja colocou Maria como “Mãe de Deus”, porém novamente ela foi retirada quando houve o cisma na Igreja Católica originando-se as religiões protestantes.

Naquele trabalho de camuflagem, feito por inspiração através dos séculos, excluindo o lado feminino na Trindade, nas religiões oriundas do Cristianismo Ortodoxo e mesmo do Judaísmo anteriormente, a culpa pela “desobediência” foi atribuída à Eva e não a um dos componentes da Tríade Superior como na realidade correu.

A responsável pela “queda” do ser humano atribuída injustamente à Eva deu margem a um desvio doutrinário, especialmente de conduta dos cristãos o que levou Pelágio a efetivar protestos e contestações o que acabou ocasionando os Sínodos de Jerusalém e de Lydda e o Concilio de Cartago no ano 416 em que Pelágio foi condenado por heresia. Mesmo depois daquele concílio o reflexo da questão ainda se fez intenso no Concilio Plenário de toda a África ocasionado no ano 418.







Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
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