O Estigma da Menstruação
“Muitas mulheres vêem o sangue menstrual
com as marcas que o patriarcado lhe colocou..."
Autor: José Laércio do Egito
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Não faz muito tempo que a menstruação deixou de ser considerada sagrada; ela não só perdeu esse lugar como passou a ser considerada algo negativo, incômodo, imundo, e indesejável. Essa mudança começou a se efetivar desde que o machismo se tornou dominante.
O poder feminino estava ligado à menstruação nas sociedades primitivas e os Patriarcas machistas, inspirados por Jeová, sabendo do poder que a menstruação pode conferir, procuraram uma forma de evitar que as mulheres usassem esse poder, para torná-la meros objetos de reprodução e prazer. Para isso, a maneira mais simples que eles encontraram foi desacreditar, ridicularizar qualquer ritual inerente à menstruação, evitando que deixassem de ser feitas muitas formas de reconciliação da polaridade feminina com a natureza.
Para a consecução desse objetivo, todo ritual inerente à menstruação foi sendo taxado de tolice, e ensinado que a menstruação não tinha função alguma a não ser a de substituição do endométrio uterino. Não havia nela nenhuma fonte de poder, e isso foi tão ardilmente preparado que a menstruação passou a ser uma condição indesejável. Assim a mulher se desinteressou de fazer criar certos símbolos, certos objetos de poder, praticar rituais simples, mas de grande eficiência no sentido de elevar a sua auto-estima; os rituais, que no passado eram comuns, praticamente deixaram de ser realizados na sociedade atual. Para reforçar o intento machista, foi dito que o mênstruo era algo sujo, imundo e sem valor! Na verdade o mênstruo é impuro apenas energeticamente; na verdade ele não é impuro, mas é pode assim ser considerado por ser o veículo que leva para fora os resíduos energéticos indesejáveis. Como diz o velho ditado: “Não existe água impura, mas sim impureza na água”. Do mesmo modo é o mênstruo, ele não é impuro por sua própria natureza, mas sim pelo fator energético que conduz, por veicular elementos energéticos que precisam ser descartados.
O machismo conseguiu um formidável tento na sua pretensão de anular a mulher, ao conseguir que ela renegasse totalmente o que de mais precioso existe em sua natureza, repudiar uma colossal fonte de energia capaz de conceder-lhe supremacia. O que é interessante, o ardil foi tao bem preparado que hoje é a própria mulher quem mais repudia a menstruação.
A dissintonia que foi estabelecida entre a mulher e a menstruação acarretou um desequilíbrio energético muito grande em seu organismo; sem o poder de sua natureza, a mulher ficou muito indefesa em ralação ao homem e daí a condição de subalternidade e de baixa estima em que hoje se encontra.
Levantando-se contra a condição de submissão surgiu o movimento feminista. Isso é algo muito importante, mas sem qualquer valor prático desde que os meios utilizados por ele não garantem nenhum poder pessoal. Não é conquistando certos direitos na sociedade que a mulher conquistará os seus direitos, ela pode até conseguir direitos civis, mas não é isso que dita a pretensa superioridade masculina, mas sim o poder energético.
As leis civis de direitos da mulher estão sendo conseguidos, mas daí para o poder real há grande distância. Os princípios pregados pelas “feministas” jamais levarão à libertação da mulher. Nenhum luta civil, ou social fará com que o machismo seja derrotado. A mulher pode conseguir direitos, mas isso nada vale se ela não reconquistar o poder feminino. Não são as leis civis que vão dar-lhe um padrão de autoconfiança; Ela pode ocupar cargos elevados na sociedade, mas sempre dependerá do homem, isso somente porque inconscientemente ela sabe que não tem poder real.
Diante disso o fundamental é a mulher resgatar o seu poder real. Basicamente ela tem muito mais poder do que o homem; é ela a geradora da vida humana, tem em si a maior parte do poder de crear vida biológica. O Poder Divino se manifesta através as Mãe Natureza, aquele poder gerador, que tudo constrói, modela e governa.
Em nível de energia o poder dela é bem superior ao do homem. De igual para igual a mulher tem poder acentuadamente superior ao do homem. Se isso não acontece é porque ela perdeu esse poder, ou melhor, o deixou adormecido levados pelos ardis do machismo. Mesmo que ela ignore, ainda assim há como recupera-lo.
Mesmo que o homem não saiba disso, ele age como dominador não por ter mais energia do que a mulher, mas, sim, porque foi preparado pela sociedade para dominar, e a mulher para ser denominada. A mulher reclama dessa condição, protesta, mas submete-se, isso por desconhecer o potencial que tem dentro de si. Para que ela possa ocupar o seu lugar de direito é necessário que volte a fazer sentir o poder de sua natureza e isso fundamentalmente é algo da própria feminina. É preciso promover um resgate energético. Se as “feministas” soubessem disso não estariam fazendo protestos, discursos e coisas assim; elas gastariam o tempo em reativar o poder adormecido. Nenhum protesto em praça pública, nenhum desfile de rua, nenhum discurso em assembléias legislativas e Senado promoverá a supremacia da feminilidade.
A elevação do feminismo até um nível de equilíbrio com o machismo é fundamental que aconteça, mas isso só será possível mediante o incremento do poder feminino. O pior é que a mulher continua entrando no jogo do machismo, acreditando que o útero não tem outro valor a não ser gerar filhos, que a menstruação é uma coisa dispensável, que pode ser abolida, por isso se submetendo a mutilações prejudiciais, debilitantes do seu grande poder energético pessoal. São as mulheres as primeiras imporem isso a elas mesmas. Defendem a unhas e dentes a histerectomia, a supressão medicamentosa da menstruação, etc. Ignoram que tudo isso pode seria sanado se estabelecessem a harmonia rompida com suas condições femininas.
Isso pode ser feito facilmente, o difícil é convencer a mulher da pratica de certos exercícios. É muito difícil convencer a mulher de que existe esse poder roubado, e que é possível o resgate. Acontece assim porque muitos conceitos estão tão enraizados na formação feminina que ela mesma acha impossível elimina-los.
A civilização atual chegou a um ponto tao crítico que é preciso trazer de volta à mulher o seu poder, pois que só ela tem possibilidade de salvar determinados valores esquecidos, ou negligenciado pelo domínio machista. É preciso livrar a mulher do estigma da inferioridade. Ao homem isso é importante porque só há estabilidade através do equilíbrio dos opostos. Uma sociedade machista, em longo prazo, é inviável, do mesmo modo que uma feminista. O equilíbrio está no meio, portanto os extremos têm que ser evitados. Assim só pode haver harmonia com o machismo manter o seu poder paralelamente ao poder da mulher. A união de um par de pessoas não visa apenas à reprodução, há muito mais que isso.
A V\O\H\ fiel aos ensinamentos do Antigo Egito tem como um dos objetivos, contribuir para o resgate do feminino.
No Antigo Egito a mulher era tratada de igual para igual, e muitos conhecimentos eram dados nos templos dedicados à Deusa Hathor.
Somente com a união equilibrada é que a humanidade pode viver em melhores condições, e combinando esforço poder se libertar do domínio de inúmeras forças espúrias.
O RETORNO DA DEUSA
“Em seus ensinamentos Jesus anuncia a igualdade fundamental
entre o homem e a mulher, postura revolucionária para a época."
Autora: Neide Miele
Feminino e Masculino são componentes do Ser, sejam eles hormônios ou valores. Este Ser integral, no entanto, vagarosamente, foi sendo dividido pela sociedade patriarcal, que o reduziu apenas aos valores determinados culturalmente a um e a outro sexo. Desta forma, poder, força, ordem, dever, competitividade, razão, lógica, abstração, que são valores genuinamente masculinos, ficaram restritos ao homem. Os valores femininos tais como, emoção, sensibilidade, intuição, perdão, cooperação, sensualidade, fertilidade, cuidado em relação ao outro, que são valores atribuídos ao sexo feminino, ficaram restritos à mulher. A partir desta verdadeira “cirurgia cultural”, o feminino passou a ser indistintamente sinônimo de mulher, assim como masculino de homem. Em ambos os casos o Ser ficou restrito apenas a uma parte dos seus atributos.
Esta destinação cultural dos atributos humanos só recentemente começou a ser desmistificada. Quem de nós não conhece inúmeros exemplos de mulheres extremamente competitivas, que não hesitam em usar sua força e seu poder para atingir seus objetivos, mesmo que a custa da destruição do outro, ou da outra? Da mesma forma que, quem de nós não poderia citar inúmeros exemplos de homens intuitivos, sensíveis, que pautam suas vidas pelo profundo sentimento de cooperação e pelo cuidado em relação ao outro? Também não é difícil compreender que os valores femininos e masculinos inerentes ao Ser não se referem às opções sexuais de cada um.
Para ser sensível, o homem não precisa renunciar à sua masculinidade, tampouco a mulher, para fazer uso da lógica, da razão e da abstração, não precisa deixar de ser feminina. Hoje estamos descobrindo que os valores inerentes ao feminino e ao masculino guardam uma relação muito mais profunda com a postura ética de cada um, com sua visão de mundo e com seu crescimento interior do que com o sexo, preferências sexuais, ou mesmo com os gêneros. Nos mais variados mitos da criação os povos se referenciam ao masculino como sendo Ouranos, o Céu, e ao feminino como sendo Gaia, a Terra, de cuja união tudo se originou. Masculino e feminino, portanto, fazem parte do transcendente.
O papel civilizatório do mito cristão
Nas sociedades pagãs, intuição ou bravura não era prerrogativa de um ou de outro sexo. Deusas e deuses amavam, guerreavam, se emocionavam, caçavam... A separação de atributos por sexo ainda não havia sido operada. Esta separação, e a conseqüente valorização de uns em detrimento dos demais começa a se tornar cada vez mais evidente à medida que a sociedade patriarcal evolui. Para a consolidação da exclusividade masculina, o patriarcado teve que esmagar seu principal inimigo, o feminino. Mais do que a mulher, o feminino é que metia medo aos homens. Era esse lado sensível, intuitivo, curador e místico, que as mulheres possuem e alguns homens também, que precisava ser esmagado para que a Era da Razão se impusesse plenamente.
Patriarcado e cristianismo se uniram na construção uma sociedade baseada nos valores masculinos. A Deusa, a Mãe-Natureza, o princípio feminino, a mulher, foram submetidas ao princípio masculino: razão, competição, poder. Talvez a Igreja cristã tenha sido a instituição mais eficaz na tarefa de forjar o mito do homem, enquanto o único ser criado à imagem e semelhança de Deus, tendo recebido Dele o poder de dominar a natureza e toda a criação. Para a hierarquia da Igreja Católica essa imagem, fruto do Velho Testamento, foi muito mais forte do que a própria mensagem do Cristo, que nunca pregou a superioridade masculina. Em seus ensinamentos Jesus anuncia a igualdade fundamental entre o homem e a mulher, postura revolucionária para a época.
Contrariando os costumes do seu tempo, Jesus, de bom grado, cerca-se de mulheres em suas atividades públicas, conversa com elas, trata-as como pessoas, sobretudo quando são desprezadas pelos costumes da época, ou apedrejadas pelos “túmulos caiados”. Apesar de esta ser a mensagem do Mestre, até mesmo os apóstolos tiveram dificuldades em assimilar seus ensinamentos e superar os preconceitos ditados pela sociedade patriarcal. Para a estrutura hierárquica da Igreja, a igualdade preconizada pelo Cristo cedeu diante dos obstáculos nascidos do contexto cultural no qual o cristianismo se difundiu. Depois de muitos conclaves, a Igreja começou a venerar a Mãe de Deus, a Virgem Maria, instituindo-a como modelo para o sexo feminino, porém, continuou vendo a mulher como causa de todos os pecados do mundo e fonte de perdição.
Tudo começou com o medo
Jean Delumeau[2] nos diz que os pesadelos mais íntimos da civilização ocidental neste último milênio foram: o mar, os mortos, as trevas, a fome, a peste, a bruxaria, o apocalipse e, sobretudo, o demônio. Analisando este conjunto, poderíamos reduzi-lo a um único medo: o da mulher, visto que culturalmente ela está relacionada com cada um deles.
O mar: O desbravamento do mar, para a conquista de novos continentes pressupunha o enfrentamento das sereias. “Monstros do mar, com cabeça e tronco de mulher, e o resto do corpo igual ao de um peixe, elas seduziam os navegadores pela beleza de seu rosto e pela melodia do seu canto para, em seguida, arrastá-los para o fundo do mar e devorá-los. Ulisses teve que amarrar-se ao mastro de seu navio para não ceder à sedução do seu chamado. Elas representam os perigos da navegação marítima e a própria morte.”[3]
Os mortos: Georges Duby[4] salienta que entre as mulheres e os falecidos parece existirem relações privilegiadas. “Assim como o corpo dos recém-nascidos, o corpo dos defuntos pertence à mulher". Sua tarefa é lavá-lo, adorná-lo, ungi-lo, assim como Maria Madalena e suas companheiras preparavam-se para fazê-lo na manhã de Páscoa. (...) o temeroso, o misterioso, o inquietante, o incontestável poder das mulheres se deve principalmente a que, assim como a terra fértil, a vida sai de suas entranhas. E quando a vida se extingue, retorna para elas como para a terra acolhedora. Estas são as duas funções da feminilidade: materna e funerária.
As trevas: As trevas são também à noite, a obscuridade, o pecado, a queda, a perda do paraíso, o inferno, a falta de domínio sobre a sexualidade. As trevas são os domínios de Lilith, que foi banida do Paraíso por não aceitar se submeter a Adão, transformando-se num demônio feminino noturno de longos cabelos, que ataca homens e mulheres na escuridão da noite. Assim está escrito no Zohar: “É justo e adequado que as duas luzes governem; a luz maior de dia e a luz menor de noite. Desse modo, o domínio do dia pertence ao macho e o domínio da noite à fêmea”. Para Bárbara B. Koltuv[5] “as forças da sexualidade, do nascimento, da vida e da morte, do mágico ciclo da vida eram originalmente governadas pela Deusa.
Com o advento do patriarcado, o poder de vida e morte tornou-se uma prerrogativa de um Deus masculino, ao mesmo tempo em que a sexualidade e a magia da criação eram separadas da procriação e da maternidade.” Esta separação salta aos olhos se analisarmos a Idade Média, período em que o culto à Virgem Maria e a construção das catedrais ocorreu concomitantemente com a criação do Tribunal do Santo Ofício, ou a chamada "Santa Inquisição", responsável pelo extermínio massivo de mulheres sob acusação de bruxaria. Para a Igreja Católica, Mãe e Mulher são opostos que se excluem.
A fome: A mulher, assim como a Mãe-Natureza, é a eterna doadora de alimento. Portanto, poderia parecer contraditório relacionar o medo da fome à mulher, contudo, depois que a maternidade foi separada da sexualidade, mãe e mulher passaram a ser seres dicotômicos, permanentemente em oposição. Depois que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, o homem passou a ser responsabilizado pelo provimento da família através do trabalho, e a mulher recebeu a sina de parir com dor o fruto de sua sexualidade e causa de sua culpa. Como o trabalho é penoso e necessita de coerção para ser realizado esta se dá através da repressão ao prazer. Trabalho e prazer se situam em campos opostos; os homens que não se privam do prazer não trabalham, daí decorre a fome, cuja culpa é imputada, em última instância, à mulher.
A peste: O ódio à mulher foi crescendo na mesma proporção que o poder patriarcal. Na Idade Média as mulheres eram acusadas de pactuarem com o demônio e responsabilizadas por sua capacidade de, em nome do diabo, exercer qualquer tipo de malefício humano e sobre-humano, inclusive a produção de tempestades ou a propagação de pestes. O medo provocado pela mulher e a conseqüente repressão às bruxas medievais são importantes para se compreender as conexões entre a destruição da religiosidade pagã, o estabelecimento do modelo patriarcal e a imposição do cristianismo.
As bruxas: Ao escrever a introdução brasileira ao Malleus Maleficarum, Carlos Byington[6] afirma que na Inquisição o ódio à mulher misturou-se à atração mórbida por ela, devido à sexualidade culturalmente reprimida. “Isso fez com que a tortura para se obter confissões de bruxarias incluísse procedimentos sexualmente perversos que incluíam voyeurismo e sadismo. As mulheres eram despidas e seus cabelos e pêlos eram raspados à procura de objetos enfeitiçados e escondidos em suas partes íntimas. As torturas praticadas são difíceis de imaginar, mas o texto dá idéia de terem sido terríveis, sobretudo porque o processo recomendado pelo Malleus é um delírio francamente paranóide orientado para se obter confissões, e não para verificar a culpabilidade.”
O demônio: Antes do século XI o diabo era abstrato e teológico. Sua existência era um problema apenas para os doutores da Igreja e para os estudiosos da teologia. Mas, pouco a pouco, ele foi ganhando espaço e se tornando cada vez mais concreto, saltando das pinturas que recobrem as paredes e os vitrais das igrejas até a total possessão dos corpos humanos, sobretudo das mulheres, que passaram a ser sua própria encarnação.
Notas:
[1] - A Autora é Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Coordenadora do Curso de Especialização em Ciências das Religiões, da Universidade Federal da Paraíba.
[2] - DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente. São Paulo: Cia das Letras, 1996.
[3] - Cf. Dicionário de Símbolos. Chevalier e Gherbrant. RJ: José Olympio, 1996.
[4] - DUBY, Georges. Damas do século XII: A lembrança das ancestrais. SP: Cia das Letras, 1997.
[5] - KOLTUV, B. O Livro de Lilith: Psicologia e Mitologia. SP: Cultrix, 1989.
[6] - Malleus Maleficarum: O Martelo das Feiticeiras. RJ: Rosa dos Tempos, 1991.
sábado, 12 de julho de 2008
Sagrado Feminino
Recolhimento Sagrado Feminino
“O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo
assim como a água está para a Terra." Autora: Tatiana Menkaiká
Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra.
Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte.
Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua.
Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanço, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora.
Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de comtemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas.
Diversos ritos de passagem marcam a vida de meninas nativas no seu primeiro ciclo menstrual. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu, é momento de as meninas se recolherem para suas casas. As meninas kanamari, do Amazonas, também ficam reclusas enquanto dura seu primeiro sangramento, sendo alimentadas somente pela mãe. Assim ocorrem com as meninas tukúna que nesse período de reclusão aprendem os afazeres e a essência do que é ser uma mulher adulta. Observa-se, em alguns casos, como parte do rito, cortar o cabelo e pintar o corpo de negro. São ritos de honra à mulher, e não o afastamento das mesmas pela impureza, como foi mal-interpretado por muitas outras culturas, principalmente a nossa ocidental extremamente influenciada pelos valores cristãos.
Nossos corpos mudam nesse período, fluem nossas emoções e estamos mais abertas a compartilhar com outras mulheres, como uma conexão fraternal. Ao observarmos nossos ciclos em relação à Lua , veremos que a maioria das mulheres que não adotam métodos artificiais de contracepção e que fluem integradas ao ciclo lunar, têm seu Tempo de Lua durante a Lua Nova. É importante observarmos como fluímos com a energia da Lua e seus ciclos, e em que período do ciclo lunar menstruamos. A menstruação é um chamado do nosso corpo ao recolhimento, assim como a Lua Nova é um período de introspecção, propício ao retiro e à reflexão. A Lua Cheia proporciona expansão e, se nossos corpos estão em sintonia com as energias naturais, é o período em que estaremos férteis.
Quantas mulheres atualmente deixaram de observar os ciclos do próprio corpo? Quantas deixaram de conectar-se com as forças da natureza, deixaram de lado a riqueza desse período de introspecção, recolhimento e contemplação de si mesmas? No nosso Tempo de Lua sonhamos mais, estamos mais abertas à sabedoria que carregamos de nossas ancestrais. Aproveite esse período para conhecer e explorar seu interior, agradecendo os dons e habilidades que possui. Compartilhe com outras mulheres esses momentos sagrados de respeito e fraternidade. Ouse sonhar e exercer seu lado visionária. Note que ao estar em conexão com todas as mulheres e com a própria Mãe Terra, muitos sintomas tidos como incômodos vão desaparecendo. Muitos destes sintomas são a rejeição desse período. Com a competição resultante dos valores da sociedade moderna, muitas de nós esqueceram de ouvir a si mesmas, de sentir a necessidade de seus próprios corpos e corações.
Para finalizar, segue um trecho sobre a Tenda da Lua, de Jamie Sams, falando-nos sobre a importância desse ciclo de religação com a Terra e a Lua:
"O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua. As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".
Publicado na Revista Viva Melhor, especial sobre Xamanismo.
“O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo
assim como a água está para a Terra." Autora: Tatiana Menkaiká
Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra.
Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte.
Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua.
Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanço, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora.
Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de comtemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas.
Diversos ritos de passagem marcam a vida de meninas nativas no seu primeiro ciclo menstrual. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu, é momento de as meninas se recolherem para suas casas. As meninas kanamari, do Amazonas, também ficam reclusas enquanto dura seu primeiro sangramento, sendo alimentadas somente pela mãe. Assim ocorrem com as meninas tukúna que nesse período de reclusão aprendem os afazeres e a essência do que é ser uma mulher adulta. Observa-se, em alguns casos, como parte do rito, cortar o cabelo e pintar o corpo de negro. São ritos de honra à mulher, e não o afastamento das mesmas pela impureza, como foi mal-interpretado por muitas outras culturas, principalmente a nossa ocidental extremamente influenciada pelos valores cristãos.
Nossos corpos mudam nesse período, fluem nossas emoções e estamos mais abertas a compartilhar com outras mulheres, como uma conexão fraternal. Ao observarmos nossos ciclos em relação à Lua , veremos que a maioria das mulheres que não adotam métodos artificiais de contracepção e que fluem integradas ao ciclo lunar, têm seu Tempo de Lua durante a Lua Nova. É importante observarmos como fluímos com a energia da Lua e seus ciclos, e em que período do ciclo lunar menstruamos. A menstruação é um chamado do nosso corpo ao recolhimento, assim como a Lua Nova é um período de introspecção, propício ao retiro e à reflexão. A Lua Cheia proporciona expansão e, se nossos corpos estão em sintonia com as energias naturais, é o período em que estaremos férteis.
Quantas mulheres atualmente deixaram de observar os ciclos do próprio corpo? Quantas deixaram de conectar-se com as forças da natureza, deixaram de lado a riqueza desse período de introspecção, recolhimento e contemplação de si mesmas? No nosso Tempo de Lua sonhamos mais, estamos mais abertas à sabedoria que carregamos de nossas ancestrais. Aproveite esse período para conhecer e explorar seu interior, agradecendo os dons e habilidades que possui. Compartilhe com outras mulheres esses momentos sagrados de respeito e fraternidade. Ouse sonhar e exercer seu lado visionária. Note que ao estar em conexão com todas as mulheres e com a própria Mãe Terra, muitos sintomas tidos como incômodos vão desaparecendo. Muitos destes sintomas são a rejeição desse período. Com a competição resultante dos valores da sociedade moderna, muitas de nós esqueceram de ouvir a si mesmas, de sentir a necessidade de seus próprios corpos e corações.
Para finalizar, segue um trecho sobre a Tenda da Lua, de Jamie Sams, falando-nos sobre a importância desse ciclo de religação com a Terra e a Lua:
"O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua. As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".
Publicado na Revista Viva Melhor, especial sobre Xamanismo.
Sagrado Feminino
Nosso propósito básico nessa palestra é mostrar que a mulher foi execrada há milênios pelos manipuladores das Escrituras Sagradas. Queremos mostrar que existe um protagonista, um vilão, que embora oculto aos olhos das pessoas, mesmo assim, ele deixa laços em todos os tempos e lugares visando, se não impedir, pelo menos, dificultar o desenvolvimento espiritual da humanidade. Um dos meios foi desvirtuar a Trindade através da eliminação da polaridade feminina. Queremos revelar que não foi a mulher quem deu chance à entrada do mal no contexto da criação, pois na verdade ela não tem culpa alguma.
Mas, como consciência manifesta, aquela força negativa tende a ocultar a sua própria natureza e por isso é que em todos os momentos da história humana ela sempre está procurando apagar os caminhos que possam levar a pessoa ao conhecimento da verdade, ou seja, à “gnosis” e assim torná-la conhecida e devidamente colocada no lugar de origem do mal. Pela “gnosis” (gnosis = conhecimento) a pessoa toma ciência dos meios de atuação daquela força, da maneira de ser dela, e assim, pelo conhecimento a respeito dela, da sua natureza, tornar mais fácil a pessoa evitar os seus laços tentadores.
Um dos meios usados pela força negativa para esconder o processo da criação foi apagar a existência de um Poder Superior transcendente ao Universo, visando trazer o Cosmo para um nível em que ela pudesse se situar como deus e ao mesmo tempo esconder a verdade. Um dos seus propósitos foi tirar da Trindade a polaridade feminina, pois isto equivale a esconder o lugar onde aquela força negativa estivera no processo da creação, e para isso dificultar o entendimento sobre a existência de uma polaridade dentro da Trindade. Por isso aquela força procurou apagar o lado feminino[1] da criação. Apagando este lado da criação, havendo somente o lado masculino, e aquela força sendo da polaridade feminina, torna-se mais disfarçável, mais oculta a sua responsabilidade.
Neste Ciclo de Civilização no planeta Terra, onde primeiro se fez sentir essa manobra de ocultamento do lado feminino foi na religião hebraica através de Jeová. Em todas as “manifestações” de Jeová aos patriarcas em nenhum momento foi dada ênfase à mulher, nenhuma profetisa, ou matriarca, é mencionada, contrastando isso com todas as grandes religiões de todas as épocas.
Os hebreus retiraram o lado feminino da criação. Mesmo havendo eles vivido no Egito por muito tempo, e consequentemente havendo tido contacto direto com todas as religiões egípcias que tinham em suas trindades o lado feminino, mesmo assim a religião hebraica não incorporou a Deidade Feminina. Todas as cosmogonias, todas as doutrinas que não são oriundas do Velho Testamento admitem a Deidade Feminina, tanto as religiões nativas e primitivas quanto as mais metafisicamente elevadas.
Pela força de um arquétipo feminino, já nos primeiros séculos, os cristãos começaram a endeusar Maria Santíssima. Essa tendência tornou-se tão intensa que ocasionou quase uma insurreição popular durante o Concilio de Éfeso, ocasião em que o tema “Maria Mãe Santíssima” estava sendo debatido. Na realidade aquele movimento nada mais era do que uma tendência à reabilitação da “Deusa Mãe” através de Maria, o lado feminino da Trindade, pois que na Trindade de Atanásio Pai e Filho eram masculino e o Espírito Santo neutro.
O Dogma da Imaculada Conceição, de certa forma, foi criado como uma forma encontrada pelo Cristianismo Ortodoxo para acalmar os ânimos dos cristãos que exigiam uma Divindade Feminina. Posteriormente esse panteão foi enriquecido com grande número de “santas”, contrastando com o Cristianismo ortodoxo primitiva que não mencionava qualquer mulher no lugar de Santa.
Até mesmo algumas escolas gnósticas cometeram esse mesmo engano. Vejamos em síntese o que aconteceu no seio do gnosticismo. Nos primeiros anos do Cristianismo mesmo alguns apóstolos ofereceram resistência em aceitar o apostolado feminino. Documentos encontrados em Nag Hamadi mostram que houve forte reação contra Maria Madalena, ao ponto de André e o próprio Pedro tentarem desacreditá-la quando ela afirmou estar recebendo ensinamentos diretamente de Jesus.
No Evangelho de Tomé consta: Simão Pedro disse aos discípulos - “Que Maria se afaste de nós, pois as mulheres não são dignas da Vida”.
No período antecedente ao I Concílio de Éfeso a maioria dos cristãos já tinha Maria como uma “Deusa”, possivelmente uma conseqüência da força do arquétipo feminino no contexto da criação.
O dogma da Imaculada Conceição, que não é exclusivo da igreja católico-romana, teve o propósito de evitar a crítica de ser considerada uma religião unipolar, machista, por não ter uma representação da polaridade feminina em seu panteão. Uma deidade feminina como era aceito pela totalidade das grandes religiões de todas as épocas e que atendia a um forte ímpeto da natureza humana.
Na realidade não existe uma mulher assim como um homens na Trindade e sim potencialidades polarizadas.
As religiões em cujo panteão em que é mencionado o nome de uma virgem esta não é nenhuma mulher, é uma pura abstração, o Nóumeno. ••.
Vemos com esta palestra a razão pela qual a mulher é colocada num plano de inferioridade na maioria das religiões ocidentais têm como base o Judaísmo exotérico.
A força negativa sendo de polaridade negativa e responsável pela penetração do mal no contexto da criação do mundo, como forma de camuflar-se induziu a que fosse retirado o lado feminino da criação. A partir do Concilio de Éfeso a Igreja colocou Maria como “Mãe de Deus”, porém novamente ela foi retirada quando houve o cisma na Igreja Católica originando-se as religiões protestantes.
Naquele trabalho de camuflagem, feito por inspiração através dos séculos, excluindo o lado feminino na Trindade, nas religiões oriundas do Cristianismo Ortodoxo e mesmo do Judaísmo anteriormente, a culpa pela “desobediência” foi atribuída à Eva e não a um dos componentes da Tríade Superior como na realidade correu.
A responsável pela “queda” do ser humano atribuída injustamente à Eva deu margem a um desvio doutrinário, especialmente de conduta dos cristãos o que levou Pelágio a efetivar protestos e contestações o que acabou ocasionando os Sínodos de Jerusalém e de Lydda e o Concilio de Cartago no ano 416 em que Pelágio foi condenado por heresia. Mesmo depois daquele concílio o reflexo da questão ainda se fez intenso no Concilio Plenário de toda a África ocasionado no ano 418.
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
Mas, como consciência manifesta, aquela força negativa tende a ocultar a sua própria natureza e por isso é que em todos os momentos da história humana ela sempre está procurando apagar os caminhos que possam levar a pessoa ao conhecimento da verdade, ou seja, à “gnosis” e assim torná-la conhecida e devidamente colocada no lugar de origem do mal. Pela “gnosis” (gnosis = conhecimento) a pessoa toma ciência dos meios de atuação daquela força, da maneira de ser dela, e assim, pelo conhecimento a respeito dela, da sua natureza, tornar mais fácil a pessoa evitar os seus laços tentadores.
Um dos meios usados pela força negativa para esconder o processo da criação foi apagar a existência de um Poder Superior transcendente ao Universo, visando trazer o Cosmo para um nível em que ela pudesse se situar como deus e ao mesmo tempo esconder a verdade. Um dos seus propósitos foi tirar da Trindade a polaridade feminina, pois isto equivale a esconder o lugar onde aquela força negativa estivera no processo da creação, e para isso dificultar o entendimento sobre a existência de uma polaridade dentro da Trindade. Por isso aquela força procurou apagar o lado feminino[1] da criação. Apagando este lado da criação, havendo somente o lado masculino, e aquela força sendo da polaridade feminina, torna-se mais disfarçável, mais oculta a sua responsabilidade.
Neste Ciclo de Civilização no planeta Terra, onde primeiro se fez sentir essa manobra de ocultamento do lado feminino foi na religião hebraica através de Jeová. Em todas as “manifestações” de Jeová aos patriarcas em nenhum momento foi dada ênfase à mulher, nenhuma profetisa, ou matriarca, é mencionada, contrastando isso com todas as grandes religiões de todas as épocas.
Os hebreus retiraram o lado feminino da criação. Mesmo havendo eles vivido no Egito por muito tempo, e consequentemente havendo tido contacto direto com todas as religiões egípcias que tinham em suas trindades o lado feminino, mesmo assim a religião hebraica não incorporou a Deidade Feminina. Todas as cosmogonias, todas as doutrinas que não são oriundas do Velho Testamento admitem a Deidade Feminina, tanto as religiões nativas e primitivas quanto as mais metafisicamente elevadas.
Pela força de um arquétipo feminino, já nos primeiros séculos, os cristãos começaram a endeusar Maria Santíssima. Essa tendência tornou-se tão intensa que ocasionou quase uma insurreição popular durante o Concilio de Éfeso, ocasião em que o tema “Maria Mãe Santíssima” estava sendo debatido. Na realidade aquele movimento nada mais era do que uma tendência à reabilitação da “Deusa Mãe” através de Maria, o lado feminino da Trindade, pois que na Trindade de Atanásio Pai e Filho eram masculino e o Espírito Santo neutro.
O Dogma da Imaculada Conceição, de certa forma, foi criado como uma forma encontrada pelo Cristianismo Ortodoxo para acalmar os ânimos dos cristãos que exigiam uma Divindade Feminina. Posteriormente esse panteão foi enriquecido com grande número de “santas”, contrastando com o Cristianismo ortodoxo primitiva que não mencionava qualquer mulher no lugar de Santa.
Até mesmo algumas escolas gnósticas cometeram esse mesmo engano. Vejamos em síntese o que aconteceu no seio do gnosticismo. Nos primeiros anos do Cristianismo mesmo alguns apóstolos ofereceram resistência em aceitar o apostolado feminino. Documentos encontrados em Nag Hamadi mostram que houve forte reação contra Maria Madalena, ao ponto de André e o próprio Pedro tentarem desacreditá-la quando ela afirmou estar recebendo ensinamentos diretamente de Jesus.
No Evangelho de Tomé consta: Simão Pedro disse aos discípulos - “Que Maria se afaste de nós, pois as mulheres não são dignas da Vida”.
No período antecedente ao I Concílio de Éfeso a maioria dos cristãos já tinha Maria como uma “Deusa”, possivelmente uma conseqüência da força do arquétipo feminino no contexto da criação.
O dogma da Imaculada Conceição, que não é exclusivo da igreja católico-romana, teve o propósito de evitar a crítica de ser considerada uma religião unipolar, machista, por não ter uma representação da polaridade feminina em seu panteão. Uma deidade feminina como era aceito pela totalidade das grandes religiões de todas as épocas e que atendia a um forte ímpeto da natureza humana.
Na realidade não existe uma mulher assim como um homens na Trindade e sim potencialidades polarizadas.
As religiões em cujo panteão em que é mencionado o nome de uma virgem esta não é nenhuma mulher, é uma pura abstração, o Nóumeno. ••.
Vemos com esta palestra a razão pela qual a mulher é colocada num plano de inferioridade na maioria das religiões ocidentais têm como base o Judaísmo exotérico.
A força negativa sendo de polaridade negativa e responsável pela penetração do mal no contexto da criação do mundo, como forma de camuflar-se induziu a que fosse retirado o lado feminino da criação. A partir do Concilio de Éfeso a Igreja colocou Maria como “Mãe de Deus”, porém novamente ela foi retirada quando houve o cisma na Igreja Católica originando-se as religiões protestantes.
Naquele trabalho de camuflagem, feito por inspiração através dos séculos, excluindo o lado feminino na Trindade, nas religiões oriundas do Cristianismo Ortodoxo e mesmo do Judaísmo anteriormente, a culpa pela “desobediência” foi atribuída à Eva e não a um dos componentes da Tríade Superior como na realidade correu.
A responsável pela “queda” do ser humano atribuída injustamente à Eva deu margem a um desvio doutrinário, especialmente de conduta dos cristãos o que levou Pelágio a efetivar protestos e contestações o que acabou ocasionando os Sínodos de Jerusalém e de Lydda e o Concilio de Cartago no ano 416 em que Pelágio foi condenado por heresia. Mesmo depois daquele concílio o reflexo da questão ainda se fez intenso no Concilio Plenário de toda a África ocasionado no ano 418.
Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br
sexta-feira, 27 de junho de 2008
A Eterna Cecilia...
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Deusa Isthar

Ishtar é a deusa dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Isis dos egipcios, Inanna dos sumérios e da Astarte dos Gregos. Mais tarde esta deusa foi assumida também na mitologia Nórdica como Easter - a deusa da fertilidade e da primavera.
Esta deusa era irmã gémea de Shamash e filha do importante deus lua - Sin.
Esta deusa é representada pelo planeta Vénus.
Considerados uma das maravilhas do mundo, os Portões de Ishtar, na Babilónia, foram transportados para um museu na Europa -Museu de Berlim. Uma réplica encontra-se no Iraque.
Esta deusa era irmã gémea de Shamash e filha do importante deus lua - Sin.
Esta deusa é representada pelo planeta Vénus.
Considerados uma das maravilhas do mundo, os Portões de Ishtar, na Babilónia, foram transportados para um museu na Europa -Museu de Berlim. Uma réplica encontra-se no Iraque.
Rituais
Detalhe da reconstrução da Porta de Ishtar.
Todo o culto aos deuses é feito através de rituais. Ishtar tinha alguns rituais de carater sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais.
Um ritual importante ocorria no equinócio da primavera, onde os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam e enterravam em tocas nos campos. Este ritual foi adaptado pela Igreja Católica no principio do 1º milénio depois de cristo, fundindo-a com outra festa popular da altura chamada de Páscoa. Mesmo assim, o ritual da decoração dos ovos de pascoa mantém-se um pouco por todo o mundo nesta festa, na altura do equinocio da primavera
Detalhe da reconstrução da Porta de Ishtar.
Todo o culto aos deuses é feito através de rituais. Ishtar tinha alguns rituais de carater sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais.
Um ritual importante ocorria no equinócio da primavera, onde os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam e enterravam em tocas nos campos. Este ritual foi adaptado pela Igreja Católica no principio do 1º milénio depois de cristo, fundindo-a com outra festa popular da altura chamada de Páscoa. Mesmo assim, o ritual da decoração dos ovos de pascoa mantém-se um pouco por todo o mundo nesta festa, na altura do equinocio da primavera
Imagem Porta de Isthar
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